sábado, 25 de agosto de 2007

Resenha: "A Metamorfose"

Franz Kafka escreveu, em 1912, “A Metamorfose”. Inúmeras interpretações deste livro de ficção surgiram desde que, em 1997, a Companhia das Letras iniciou a publicação das obras completas do autor.
A história narra a vida de Gregor Samsa, um caixeiro-viajante, que há algum tempo trabalha e carrega em suas costas o peso de sustentar sua família: irmã, pai e mãe. Certo dia, ao acordar e começar mais um dia de sua rotina, Gregor sente algo diferente em seu corpo: havia sofrido uma metamorfose, criando patas, antenas e um casco.
É importante notar como o autor explora a relação de Gregor com o resto da família. Desde que percebe sua metamorfose, sua principal preocupação não era sua situação em si, mas sim as conseqüências, a forma como isso atingiria sua mãe, seu pai e sua irmã. Em contrapartida, há uma atitude repulsiva da família que o exclui cada vez mais da rotina da casa.
Franz Kafka é conhecido pela delicada relação que tinha com seu pai. Delicadeza esta que beira a incompatibilidade e faz com que pai e filho não se dessem muito bem. Essa relação está muito explicita em outro livro do autor, “Carta ao Pai”, de 1919, no qual o autor desabafa sobre suas diferenças com pai – “: "Eu só poderia viver naquelas áreas não cobertas por você ou fora de seu alcance. Mas, considerando minha idéia de sua magnitude, não restam muitos lugares."
“A Metamorfose” é, por muitos, considerado uma autobiografia de Franz Kafka, em que coloca toda sua mágoa e seu ressentimento de uma infância de difícil relação familiar. Onde se evidencia as dificuldades de lidar com aquilo que é diferente e, principalmente, com o que se torna diferente em pouco tempo, sem se esperar.

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